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domingo, 30 de março de 2014

Mudanças para viajarmos mais pelo Brasil

Quem nos acompanha desde o início sabe que de tempos em tempos participamos de blogagens coletivas, onde vários blogueiros escrevem sobre o mesmo tempo. A maioria delas foram propostas pelo grupo Viagens em Família lá do Facebook, liderado pela Sut Mie, do Viajando com Pimpolhos.

Nossa primeira participação foi com o tema "Nossa primeira viagem em família", foi a primeira Blogagem Coletiva do grupo e também o principal motivo do surgimento do blog. Depois passamos pelos temas "Perrengues em viagem", onde participamos com dois posts: "Surpresas"numa viagem a Punta del Este, e Perrengues em Família - O retorno. Em um outro grupo participei com o tema, "Minha primeira vez na Disney". E a última blogagem do ano passado, dessa vez liderada por mim e pela Patricia Papp, do Coisas de Mãe, foi "As viagens da minha infância".

Para começar o ano, a Adriana Pasello, do blog Diário de Viagem, propôs um tema muito interessante: Mudanças que devem ocorrer no país, para que possamos viajar mais em família. O tema é amplo, e topei na hora. Difícil é escrever sobre o assunto, principalmente de uma forma positiva.

Vocês sabem que acabamos de voltar do Hawaii, e a cada vez que chegamos no aeroporto de volta, a cada vez que pegamos a BR 116 para voltar para casa,  a cada ida para o supermercado, para constar poucos exemplos, a revolta é grande. É impossível não fazer comparação. E não estou dizendo que lá, ou em outros países, são tudo flores, pois sei bem que não são. Uma coisa é viajar de férias, ver só o lado positivo das coisas, não trabalhar, não pagar impostos e só curtir, outra é cumprir com nossas obrigações de cidadão. Mas mesmo assim é revoltante. Isso sem comentar a roubalheira que vemos todo dia na televisão. Atualmente prefiro assistir Discovey Kids com meu filho, a olhar noticiário. To preferindo não saber o que anda acontecendo, para que essas situações não me revoltem.

Bom, o que temos que mudar aqui no Brasil, para as famílias viajarem mais???


1) Preço:
No Brasil temos lugares lindíssimos, beleza natural exuberante, ótimo hotéis. Mas tudo isso custa muito caro. Porque eu escolheria viajar em família para o Rio de Janeiro, onde os hotéis de um padrão médio custam R$500,00 a diária, se em Las Vegas, o mesmo padrão custa R$150,00 ou até menos? Porque um picolé na praia da Barra da Tijuca custa R$ 9,00, no litoral de SC R$4,00 e num supermercado R$1,50? Porque  para uma passagem com milhas para Maceió são cobradas 30.000 num trecho, enquanto que pro Hawaii eu emiti por 40.000 milhas, ida e volta?

Poderia enumerar mais de mil exemplos. Mas turismo no Brasil é muito caro. Eu mesma não conheço Fernando de Noronha. Já fiz reservas para lá duas vezes, mas quando comparo com os preços de uma viagem para outro paraíso natural do exterior, eu desisto. Me sinto assaltada. A logística é difícil para o envio de mercadorias, o custo lá é alto? Tenho certeza que sim, mas nem isso explica os preços exorbitantes cobrados por lá e em muitos outros lugares daqui.

Lembrando que voltamos do Hawaii, visitamos três das ilhas, e os preços por lá eram os mesmos que são cobrados nos EUA continental, com a vantagem do imposto ser 4% ( menor que a maioria dos estados americanos).

2) Companhias e rotas aéreas:
Até não podemos reclamar do número de companhias aéreas existentes no Brasil atualmente. Se comparamos com alguns anos atrás, podemos até afirmar que estamos bem servidos. Mas e as rotas? 
Talvez quem more em SP ou no RJ, discorde de mim. Mas o pessoal do sul (nosso caso) sofre muito para conhecer os outros estados do Brasil. Não existem vôos diretos, com excessão da região sul, SP e Rio de Janeiro. Para viajarmos para o nordeste, é necessário pelo menos uma conexão. E isso significa, troca de aeronave e tempo de espera em aeroportos em estrutura. 

Espaço Kids no aeroporto Fort Worth em Dallas, totalmente gratuito
Uma viagem de Porto Alegre para Fortaleza é muito mais longa que uma viagem de Porto Alegre para Miami. Estranho, não?

3) Estradas:
Ta Francine, você esta falando de viagens longas de avião. Quem não tem condições de viajar de avião, não percebe isso.

E as nossas estradas gente? Estão piores ainda. Talvez em alguns estados a situação esteja melhor ( acho difícil). Mas aqui no RS é de chorar. Faltam pistas para o fluxo atual de carro, faltam opções de trajetos,  faltam pontos de parada com estrutura para atender famílias ( restaurantes, banheiros, atividades para crianças).
Playground que encontramos em um posto de combustivel
e alimentação na Gold Coast, na Austrália.
Aqui no RS, a maioria dos pedágios foram desativados pelo atual governador. Claro que nossos bolsos agradecem, mas cadê o governo para cuidar das estradas, cadê serviço de resgates? Melhor pagar pedágio, e ter assistência.

Querem exemplos? De Estrela, onde moramos, para Garopaba, praia de SC que adoramos, são aproximadamente 480 Km. Boa parte da BR 101 sul já está duplicada. Costumamos demorar entre 9-10h para esse trajeto. Imaginem se a duplicação não existisse.

Oahu, a ilha mais populosa do Hawaii, tem em torno de 1.500km2 de extensão. Suas auto estradas tem no mínimo 4 pistas para cada sentido. Não é difícil encontramos 6-7 pistas por sentido.

4) Restaurantes:
Mesmo com os quatro pontos contra, citados acima, a gente insiste em conhecer o país, pois conhecer conhecer nossa cultura, nossas belezas e nossas cidades.

Daí chegamos num restaurante para fazermos um refeição com nosso filho, e não há opção nenhuma de cardápio kids, não há nada para divertir a criança, enquanto os pais fazem a refeição com calma, e muitas vezes, não há trocador nos banheiros, ou espaço para o carrinho de bebê circular entre as mesas.


Prato Kids no Rainforest Café 
Prato Kids nos parques da Disney
Nos parques da Disney além de frutas, tem até pepino para lanche.
Nossos filhos são os viajantes de amanhã, e muitas famílias respeitam as preferências das crianças  na hora de escolher o destino de férias. Custa muita, ter um cardápio especial para os pequenos? Custa muito ter umas folhas em branco e uns lápis para as crianças colorirem, enquanto os pais almoçam?
Revistinha de atividades do Bubba Gump
Em Gramado, destino escolhido por muitas famílias com crianças pequenas, a maioria dos restaurantes não possuem nenhum desses itens que citei. #acordaBrasil

5)Infra Estrutura:
Já falei sobre estradas, mas gostaria de comentar nesse item, estruturas que nós como turistas ou visitantes precisamos.

*Acessibilidade para cadeirantes e carrinhos de bebê: Queremos passear tranquilos pelas calçadas das nossas ruas.
Calçadas transitáveis e com rampas de acesso a ruas para usarmos
o carrinho tranquilamente.
*Praias com parques: A Austrália é o país que conheci onde vi mais investimentos nesse sentido. Qualquer praia, tem um Beach Park, com banheiros limpos, bebedouros, mesas de picnic, área gramada, pista de caminhada, churrasqueiras e brinquedos para as crianças. No Hawaii, somam-se aos Beach Parks, os estacionamentos. E tudo gratuito.
Playground em parque na praia de Mainly, em Sydney
*Banheiros: Sejam nas praias, sejam nos aeroportos ou nas estradas. Banheiros limpos para que todos possam utilizar. Banheiros com trocadores, inclusive nos banheiros masculinos, pois os pais também trocam as fraldas dos filhos, não é? Banheiros familiares, e principalmente banheiro para deficientes físicos.

*Hotéis: Hotéis que atendam famílias. Poucos dos nosso hotéis recebem quatro hospedes no mesmo quarto. Nos Estados Unidos é muito comum quarto quadruplo.

6)Cordialidade e educação com o turista:
O tópico que menos precisaria de investimentos, digo grana, seria esse. Pois educação, cordialidade, e cuidado ao próximo aprendemos em casa, não é mesmo?

Quando viajamos ou mesmo quando estamos na nossa cidade, queremos ser bem tratados. Queremos que o atendente da loja nos atenda com um sorriso. Queremos que o taxista seja correto, e cobre a tarifa certa do visitante que não conhece a cidade. Queremos que o turista estrangeiro consiga se comunicar, saiba escolher o que vai comer num restaurante, pois afinal, ele está trazendo seu dinheiro para o nosso país.

Mas Francine, quando viajo para os Estados Unidos os cardápios são em inglês. São em inglês porque inglês é a língua universal, e mesmo assim muitos restaurantes tem sim cardápio em outras línguas ou mesmo atendentes que falem português, principalmente nas cidades mais turísticas.

7)Segurança
A maioria de nós, viaja em família de férias. É óbvio que queremos nos sentir seguros no nosso destino escolhido. Porque escolheríamos viajar para o RJ, ou SP (para dar poucos exemplos) se podemos ir para a Austrália, onde ninguém tranca a porta de casa?
É admissível um delegado falar para uma mãe, que ela teve sorte de seu filho "ser quase"roubado na Praia do Forte? E que se esse episódio tivesse ocorrido em Salvador, a criança já estava longe, com documentos falsos? Qual é a propaganda que essa mãe vai fazer da Bahia?

E nesse tópico, precisamos falar também da visão que os estrangeiros tem do Brasil. Não é só carnaval, futebol e caipirinha que eles conhecem do nosso país. A violência está muito evidente lá fora. Eu mesmo confesso que me assusto quando estou em SP, pois a visão que a TV passa da cidade é outra, muito mais violenta. 

Nossas bagagens nos aeroportos são alvo de furtos. Gringo com máquina fotográfica é alvo fácil. Quadrilhas que seguem as famílias saindo com bagagem do aeroporto e as seguem até em casa para anunciar o assalto e levar tudo. Triste.

8)Transporte Coletivo:
Se nossas estradas já não são das melhores, precisamos investir em transporte público coletivo. Quais são os nossos aeroportos que possuem trem ligando o aeroporto ao centro da cidade? A minoria.

Na Europa, a maioria dos grande aeroportos possui mais de uma linha. Em Londres, para sairmos do aeroporto de Heathrow até o centro, tínhamos no mínimo 3 opções para escolher, que variavam entre custo e tempo de viagem.
Cartão de transporte em Londres, para ônibus e trem. Você compra para o
número de dias necessários
Todas as paradas de ônibus em Londres possuem digital
mostrando o tempo que falta para o ônibus chegar.
Nossos ônibus não cumprem horário, nossa paradas não tem sinalização adequada. E a segurança nos ônibus….afff.


Nos domingos os ferries de Sydney tem tarifa especial para as famílias. Paga-se
um preço simbólico e o ticket é válido durante todo o dia, independente do número
de rotas utilizadas.
Aluguel de bicicletas em Londres. Já temos em várias cidades do Brasil!
9)Sinalização eficiente e informação ao turista:
Precisamos de sinalização eficiente e objetiva, seja nas estradas, nos aeroportos ou nos nossos pontos turísticos. Placas informativas, preferencialmente em português e inglês, ainda mais se quisermos receber bens os gringos. Centro de atendimento ao turistas, mapas, e atendentes de hotéis treinados para bem informar.
Em todas as ilhas que visitamos no Hawaii, na chegada no aeroporto,
tem vários stands com revistas e mapas para os turistas.
Sinalização das praias em Maui.
10)Atrações para os pequenos viajantes:
Sendo nosso objetivo viajar em família, nada mais justo que tenham atrações para todas idades nas nossas cidades. Claro que praia sempre é bacana, todo mundo gosta e é o destino preferido da nossa família, mas porque não aliar o passeio a um parque de diversão, ou a um museu interessante para os pequenos?
Legoland na Flórida
Atividades para os pequenos no Disney Dream
Atividades interativas no Field Museum em Chicago
Playground temático no Adler Planetarium em Chicago
Aqui um exemplo brasileiro positivo são as cidades de Gramado e Canela na Serra Gaúcha. É  incrível o investimento que essas cidades fizeram no turismo nos últimos anos, de infra estrutura básica a parques e atrações para todas idades. Lá não existe época de baixa temporada, todas as estações tem alguma atração especial para atrair os turistas, fora as atividades normais privadas.
Aldeia do papai Noel em Gramado, onde é Natal o ano inteiro 
Snowland em Gramado, neve em qualquer estação.
Não é por nada que os parques da Disney são o sucesso que são, não é mesmo? Mas nós queremos conhecer lugares novos, museus, parques, praças...

Tentei ser positiva, mas a comparação com outros lugares que conhecemos é inevitável. Amo o meu país, mas infelizmente não vejo luz no fim do túnel. Quero muito que o Brasil seja um país melhor para o meu filho e meus netos. Quem sabe, eles consigam viajar muito pelo nosso país, com mais qualidade.

E você, o que pensa sobre o assunto? Tem outros tópicos a acrescentar? Deixe sua sugestão nos comentários.

Esse post faz parte de uma Blogagem Coletiva, proposto pelo grupo Viagem em Família. Para ler os outros participantes, clique nos links abaixo:





4. Claudia Rodrigues  - Felipe, o pequeno viajante: 

5. Andreza Trivillin  - Andreza Dica e Indica Disney: 

6. Thyl Guerra - Viajando com Palavras:





11. Márcia Tanikawa - Os Caminhantes Ogrotur: http://oscaminhantes.com/2014/03/queremos-viajar-mais-pelo-brasil.html

12. Karen Schubert Reimer - As Aventuras da Ellerim Viajante


14- Regeane Nicaretta- dicas da rege




19Ana Cintia Cassab Heilborn - Travel Book Blog:

20Flávia Maciel - Bebê Pelo Mundo

21 - Claudia Bins - Mosaicos do Sul

22 - Patrícia Tabalipa - Roteiro Baby Floripa

23. Andrea Almeida Barros - Do RS para o Mundo:

24. Patrícia Papp - Coisas de Mãe:

25- Susana Spotti - Viagem Simplesmente

5 comentários:

  1. Olá, boa tarde!

    Gostei muito do seu blog e gostaria de saber
    se você quer fazer parceria com o meu. É sobre
    turismo e gastronomia. Se tiver interesse, entre em
    contato comigo no blog: http://viajakate.blogspot.com.br/

    Abraços, Kate.

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  2. Achei ótimo você ter citado o exemplo do carrinho de bebê para falar de infraestrutura. Tenho um bebê de 5 meses, e mesmo aqui em Recife, cidade turística e "pronta" para receber a Copa, eu não tenho condições de passear com meu filho no carrinho. Prefiro ficar em casa e passear no prédio do que colocar a segurança dele em risco no meio da rua, simplesmente por aqui não temos calçadas.

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  3. Cheguei Fraaaaan! rs Acho que até amanhã consigo ler todos. Nossos textos coincidiram em vários aspectos, mas há um item que você citou que eu valorizo muito em qualquer lugar que eu esteja, Brasil ou fora: sinalização. Eu a-do-ro não precisar parar para pedir informação simplesmente porque está tudo muito bem informado e sinalizadol. Ô delíciaaaa.

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  4. Ah, sim, esqueci de dizer que nós também #queremosviajarpeloBrasil sil sil !!!

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  5. Verdade. Os preços são um absurdo. Tanto de hotéis, como de passagens e de restaurantes.

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